Paulo Freire: Ferramenta do Imperialismo Com a Cara da Esquerda Liberal
Idealismo, Reformismo e a Educação como Instrumento da Luta Revolucionária
A Superestrutura e a Lógica do Capital
O grande problema da proposta de Paulo Freire, especialmente quando analisada a partir de uma perspectiva marxista, é que ele não observa a questão da superestrutura e sua relação com a infraestrutura econômica. A educação, para Freire, é uma ferramenta de conscientização que visa transformar mentalidades e práticas sociais, mas ele não questiona a superestrutura que, por sua vez, serve para manter a lógica do capitalismo. Ou seja, não há um questionamento real do Estado, das instituições burguesas e das relações de produção que sustentam o sistema capitalista.
Sua proposta pedagógica, ao focar apenas em mudanças ideológicas e comportamentais sem enfrentar a estrutura de poder e as relações materiais de classe, não ataca a raiz do problema. Em vez de gerar uma mudança concreta nas condições de vida das classes oprimidas, Freire acaba sendo incapaz de combater as forças do capital que dominam a sociedade. Assim, sua visão de "educação libertadora" é, na prática, uma educação que segue os mandos da superestrutura, reforçando, sem querer, a lógica do capitalismo e suas formas de dominação.
Portanto, apesar de sua intenção de libertação e transformação, a proposta de Paulo Freire não é realmente libertadora. Ela não desafia a estrutura de poder que mantém a desigualdade e a exploração. Sua educação, ao se basear na conscientização sem um movimento revolucionário de classe, não rompe com a lógica do capital, apenas a ajusta. Por isso, mesmo sendo um pedagogo respeitado, sua proposta acaba servindo aos interesses do sistema, funcionando dentro de suas normas e limitações, sem um real compromisso com a revolução socialista necessária para derrubar as bases da opressão capitalista.
A pedagogia de Paulo Freire tornou-se uma referência mundial para educadores progressistas, sendo amplamente celebrada por sua crítica à “educação bancária” e por seu compromisso com a emancipação dos oprimidos. No entanto, sob uma perspectiva marxista-leninista-maoísta, sua proposta pedagógica fracassa ao não romper com as estruturas da dominação burguesa.
Embora Freire denuncie a opressão no ensino tradicional, sua metodologia, no fundo, não ultrapassa os limites do reformismo e do idealismo pequeno-burguês. Seu pensamento se baseia na ilusão de que a conscientização, por si só, é suficiente para transformar a realidade, ignorando que a educação deve estar subordinada à luta de classes e à construção do poder proletário.
Karl Marx já advertia que “os filósofos apenas interpretaram o mundo de diversas maneiras; o que importa é transformá-lo”. Freire, no entanto, fica preso à interpretação, sem apresentar uma pedagogia verdadeiramente revolucionária.
O Idealismo Pequeno-Burguês e a Ilusão da Consciência como Força Transformadora
O principal problema da pedagogia freiriana está em sua base idealista, pois parte da premissa de que a conscientização dos oprimidos leva, necessariamente, à sua libertação. Isso ignora o papel da violência burguesa na manutenção da ordem capitalista e desvincula a educação da necessidade da luta revolucionária.
A superestrutura educacional não se mantém apenas porque os trabalhadores são alienados, mas porque a burguesia detém o controle do Estado e dos meios de repressão. A exploração não cessa quando os oprimidos tomam consciência dela, mas apenas quando se organizam, se armam politicamente e derrotam a burguesia em luta concreta.
Mao Tsé-Tung nos ensina que “sem destruição, não há construção”. A educação popular não pode se limitar à reflexão e ao diálogo, mas deve estar a serviço da luta revolucionária do proletariado. Freire, ao contrário, confia excessivamente na mudança das mentalidades, como se o capitalismo pudesse ser superado por meio do aprendizado crítico, sem necessidade de derrubar o Estado burguês e destruir suas instituições.
A Educação como Instrumento de Acomodação dentro da Ordem Burguesa
Apesar de seu discurso contestador, a pedagogia freiriana não rompe com a estrutura escolar burguesa, tornando-se facilmente assimilável pelo próprio sistema que diz combater. Sua ênfase no diálogo e na “conscientização progressiva” permite que suas ideias sejam cooptadas por ONGs, governos reformistas e organismos internacionais, que as utilizam como um verniz progressista para manter a dominação intacta.
Enquanto os comunistas propõem uma educação revolucionária que ensina a classe trabalhadora a se organizar e combater a burguesia, a pedagogia freiriana propõe uma educação que ensina a classe trabalhadora a negociar com a burguesia. Isso explica por que, apesar de sua popularidade, suas ideias nunca representaram um perigo real ao sistema.
Ao invés de formar revolucionários, a pedagogia freiriana produz indivíduos politizados, mas domesticados dentro da ordem burguesa. Não por acaso, Paulo Freire foi incorporado por setores da social-democracia e pelo próprio Estado burguês, que passaram a utilizar sua metodologia para manter a população engajada em processos educacionais que não ameaçam a estrutura de poder da burguesia.
Mao nos ensina que a verdadeira educação revolucionária não pode estar separada da prática. Em sua política educacional na China, os estudantes eram enviados às fábricas e ao campo para aprender com o proletariado e o campesinato, garantindo que o ensino estivesse diretamente vinculado à luta política e econômica das massas. Isso é radicalmente diferente da abordagem freiriana, que permanece restrita ao espaço da sala de aula e da teoria.
O Fetiche do Diálogo e a Negação da Luta de Classes
Outro equívoco fundamental de Freire está na centralidade que dá ao diálogo como ferramenta de transformação social. Sua pedagogia pressupõe que a troca de ideias entre opressores e oprimidos pode levar a mudanças estruturais, ignorando que a burguesia não dialoga – ela oprime, explora e reprime qualquer ameaça ao seu poder.
A educação revolucionária não pode cair na armadilha do pacifismo ingênuo. Se queremos que os trabalhadores se libertem, precisamos armar sua consciência e sua prática, ensinando-os a destruir o Estado burguês e construir um novo poder. Freire, ao contrário, rejeita qualquer perspectiva de confronto, limitando-se a propostas que podem, no máximo, humanizar o capitalismo, mas jamais derrubá-lo.
Mao já nos alertava: “o poder nasce do fuzil”. Nenhuma transformação real pode ocorrer sem luta de classes, sem confronto direto com a burguesia, sem organização revolucionária disciplinada. O proletariado não pode se iludir com promessas de mudança baseadas apenas no convencimento moral dos opressores.
Rejeição da Disciplina e da Formação da Vanguarda Revolucionária
Outro aspecto problemático do construtivismo freiriano é sua rejeição da disciplina no ensino. A ênfase na autonomia do estudante e na descoberta do conhecimento pode parecer libertadora, mas desvaloriza a necessidade de um ensino estruturado, voltado à formação de quadros políticos capazes de liderar a revolução.
Os comunistas compreendem que a educação revolucionária deve forjar militantes preparados, disciplinados e conscientes do papel do Partido e da luta armada. Durante a Revolução Cultural, Mao insistiu que a educação deveria estar subordinada à luta política, garantindo que os estudantes não apenas aprendessem, mas aplicassem o conhecimento na construção do socialismo.
A abordagem freiriana, ao contrário, tende a formar indivíduos intelectualmente críticos, mas incapazes de atuar na prática revolucionária. Isso acontece porque sua pedagogia tem raízes no humanismo burguês, que valoriza o pensamento individual e a autonomia em detrimento da organização coletiva e da luta disciplinada.
O Caminho para uma Educação Revolucionária
Diante dessas limitações, os comunistas devem defender um modelo verdadeiramente proletário de educação, que não se limite a conscientizar, mas que prepare os trabalhadores para derrubar o Estado burguês e construir o socialismo.
Essa educação revolucionária deve:
- Combinar teoria e prática, levando os estudantes a participar da luta revolucionária de forma ativa.
- Romper com a ilusão do diálogo com a burguesia, ensinando que o capitalismo só cairá pela força da organização proletária.
- Garantir um ensino disciplinado e estruturado, formando militantes aptos a atuar no Partido Comunista e nas massas.
- Aproximar os intelectuais do proletariado, rompendo com o academicismo e assegurando que a educação sirva à revolução.
Freire, ao final, não apresenta uma pedagogia revolucionária, mas sim uma pedagogia reformista, adaptável ao sistema burguês. Se quisermos realmente libertar o proletariado, nossa educação deve ser uma arma, não uma simples reflexão. Apenas uma educação disciplinada, combativa e a serviço da revolução pode cumprir esse papel.
Reformismo:
Freire acreditava que a educação poderia ser uma ferramenta para a transformação social, mas sua abordagem nunca visou à revolução socialista. Ele defendia que a conscientização dos oprimidos, por meio do diálogo e da reflexão crítica, seria capaz de promover mudanças na sociedade. Contudo, esse processo de conscientização estava limitado à mudança da mentalidade dos indivíduos e não ao rompimento das estruturas materiais que sustentam a opressão, ou seja, o capitalismo. Para ele, a educação tinha o poder de transformar as condições de vida das classes oprimidas dentro do sistema capitalista, mas sem destruir esse sistema em si. Isso é, de fato, uma característica do reformismo, pois ele acreditava em mudanças graduais, dentro das estruturas existentes, sem desafiar as bases econômicas e políticas da sociedade capitalista.
Revisionismo:
Paulo Freire como um revisionista, dado que ele adaptou algumas ideias socialistas para um contexto mais conciliatório. Sua ênfase no diálogo e na busca por uma educação que promova a conscientização dos oprimidos sem necessariamente romper com as estruturas do poder, ou com o Estado burguês, indica uma revisão de elementos centrais do marxismo clássico. Em vez de uma luta direta contra a burguesia e suas instituições, Freire acreditava que a educação poderia ser o caminho para a transformação social. Isso, evidentemente, nega a necessidade de uma revolução radical e a derrubada do Estado burguês, que é o que Marx e Engels previam como fundamental para uma verdadeira mudança social. Ao focar na transformação das consciências e na pacificação dos conflitos sociais, Freire pode ser visto como uma forma de revisão do marxismo, afastando-se da concepção de luta de classes revolucionária que é central na teoria marxista.
Paulo Freire: Reformismo e Revisionismo na Educação como Ferramenta de Conscientização no Sistema Capitalista
Pode-se afirmar que Paulo Freire foi um reformista, e, em certos aspectos, um revisionista, especialmente no que tange às suas abordagens sobre a transformação social e a educação.
O termo "reformista" é aplicável, pois Freire acreditava que as condições de opressão poderiam ser alteradas, mas não necessariamente por meio da destruição do sistema capitalista. Em vez disso, ele propunha uma transformação dentro do sistema através da conscientização e da mudança pedagógica. Para ele, a educação deveria ser uma ferramenta de emancipação dos oprimidos, mas sem questionar as estruturas fundamentais do capitalismo, como as relações de produção e o Estado burguês. A mudança seria alcançada por meio do desenvolvimento de uma conscientização crítica, permitindo aos indivíduos entenderem sua posição na sociedade e se organizarem para um mundo mais justo — mas sem uma revolução que rompesse com a ordem capitalista.
Em relação ao revisionismo, Paulo Freire, ao buscar um meio-termo entre a luta de classes revolucionária e a transformação social pacífica, pode ser visto como um revisionista no sentido de suavizar a necessidade de uma mudança radical e estrutural. Ele adotou uma abordagem mais conciliatória e, ao fazer isso, distorceu certos elementos da teoria marxista. Por exemplo, ao enfatizar a importância do diálogo entre opressores e oprimidos e ao considerar a educação como o principal caminho para a transformação social, Freire minimizou a necessidade de uma luta de classes revolucionária para a destruição do sistema capitalista e a substituição por um novo sistema socialista.
Seguindo essa linha reformista, ao retornar ao Brasil, Paulo Freire se uniu ao recém-criado Partido dos Trabalhadores (PT). Durante a administração de Luiza Erundina em São Paulo (1989-1993), assumiu a Secretaria de Educação, onde apresentou um modelo de ensino que priorizava uma educação pública com caráter popular e democrático, em detrimento de uma educação universal e inteiramente gratuita. Esse direcionamento marcou o início de uma política educacional petista que viria a se consolidar nos anos seguintes, fundamentada em parcerias público-privadas, no FIES, PROUNI, sistema de cotas e orçamento participativo. Embora travestidas de avanço social, tais medidas fortaleceram a mercantilização do ensino, submetendo ainda mais a educação aos interesses do capital e aprofundando sua integração à lógica neoliberal.
Em vez de romper com a estrutura burguesa da educação, a política educacional que Freire ajudou a influenciar fortaleceu o modelo neoliberal, convertendo a educação em um serviço sujeito a regulações de mercado. Isso demonstra a falência do seu projeto de "educação libertadora", que, ao não enfrentar as relações de produção e a lógica estrutural do capitalismo, acabou servindo ao sistema.
Apesar de seus esforços para criar uma educação voltada à 'libertação dos oprimidos', Freire não analisava criticamente a superestrutura que sustenta a lógica do capital. Sua proposta pedagógica, centrada na conscientização sem a transformação das bases materiais da sociedade, acaba por servir ao sistema capitalista, operando dentro de suas normas sem desafiar as relações de poder e produção. Assim, longe de ser uma proposta genuinamente revolucionária, a educação de Freire permanece limitada pela estrutura existente, alinhando-se à manutenção da ordem capitalista.
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